Um boleto pendente é um boleto emitido no checkout que ainda não foi pago; um PIX pendente é um código ou QR Code gerado e ainda não quitado. Os dois são intenções de compra, não vendas. Enquanto não são pagos, devem ficar fora do faturamento, do CPA e do ROAS, e ser acompanhados à parte, com uma métrica própria: a taxa de pagamento de cada método, que é o número de pagos dividido pelo número de gerados, contando cada comprador uma vez só.
Parece detalhe de relatório, mas não é. Em operações que vendem bem por PIX e boleto, a distância entre "gerado" e "pago" pode mudar a leitura de uma campanha inteira. Este guia explica o que são vendas pendentes, por que distorcem as métricas quando entram na conta e como medir a taxa de pagamento, com um exemplo numérico.
Resumo rápido: venda pendente = PIX ou boleto gerado e não pago. Não some no faturamento. Calcule CPA e ROAS só com vendas aprovadas. Meça a taxa de pagamento por método (pagos ÷ gerados), agrupando por CPF para não contar a mesma pessoa várias vezes, e só depois de passado o prazo de pagamento.
O que é uma venda pendente
Venda pendente é um pedido que chegou até a etapa de pagamento, teve o meio de pagamento gerado, mas ainda não foi pago. No Brasil, isso acontece quase sempre com dois métodos:
- PIX: o checkout gera um código "copia e cola" ou um QR Code com validade. O pagamento é instantâneo quando acontece, mas o comprador pode fechar a página e nunca pagar. Quando a validade expira, o código deixa de valer.
- Boleto: o checkout emite o boleto com data de vencimento. Mesmo depois de pago, o banco leva um tempo para compensar, e a venda só vira aprovada quando a confirmação chega à plataforma.
O cartão de crédito funciona de outro jeito: a transação é aprovada ou recusada na hora. Uma recusa de cartão não é uma venda pendente, é uma tentativa que falhou.
Por que boleto e PIX ficam pendentes
Os motivos mais comuns, que ajudam a pensar em como agir:
- O comprador gerou para decidir depois. Emitir o boleto ou copiar o PIX é um "vou pensar" de baixo compromisso.
- Falta de saldo no momento. A pessoa quer comprar, mas vai pagar quando o dinheiro entrar.
- Esquecimento. O boleto fica no e-mail, o código PIX expira no aplicativo do banco.
- Comparação. O comprador gera o pagamento em mais de uma oferta e escolhe uma.
- Tentativas repetidas. A mesma pessoa gera dois ou três PIX porque o primeiro expirou ou porque trocou de oferta no checkout.
Esse último ponto é o que mais bagunça as contas, e voltamos a ele na hora de medir.
Boleto pendente e PIX pendente distorcem faturamento, CPA e ROAS
Se as vendas pendentes entram na conta como se fossem pagas, três métricas ficam erradas ao mesmo tempo, e todas na direção otimista.
1. O faturamento fica maior do que o dinheiro que entrou
Um PIX de R$ 197 gerado e não pago não coloca R$ 197 no caixa. Somar os gerados no faturamento infla a receita do dia e do mês. Veja a definição de cada tipo de faturamento em faturamento bruto, operacional e líquido.
2. O CPA fica menor do que é
CPA é investimento dividido por vendas. Se o denominador inclui pedidos que nunca serão pagos, o custo por venda parece menor. Uma campanha pode parecer dentro do CPA máximo quando, na verdade, está acima. Veja o que é CPA e como calcular.
3. O ROAS fica maior do que é
O mesmo efeito, só que no numerador: faturamento inflado dividido pelo mesmo investimento dá um ROAS mais bonito. Explicamos as outras armadilhas da métrica em como calcular o ROAS real.
O efeito no algoritmo
Existe um quarto problema, fora da planilha. Se a sua configuração de rastreamento dispara o evento de compra no momento em que o boleto é emitido ou o PIX é gerado, a plataforma de anúncios aprende que "comprador" é quem gera pagamento. O algoritmo passa a buscar mais pessoas parecidas com quem emite boleto, pagando ou não.
Vale revisar em que momento o evento de compra é enviado para a Meta. O ideal é que ele represente a venda aprovada. Se você usa checkout externo, o tema se conecta com por que o Pixel do Facebook não rastreia todas as vendas.
Exemplo: a mesma campanha com e sem pendentes
Um exemplo hipotético, com números ilustrativos. As taxas abaixo não são médias de mercado.
Cenário: produto de R$ 197, R$ 30.000 investidos em anúncios no mês.
| Método | Gerados | Compradores únicos (CPF) | Pagos |
|---|---|---|---|
| Cartão | – | – | 300 |
| PIX | 150 | 130 | 104 |
| Boleto | 80 | 70 | 28 |
Agora as duas leituras do mesmo mês:
| Métrica | Contando os gerados como venda | Só vendas aprovadas |
|---|---|---|
| Vendas | 300 + 150 + 80 = 530 | 300 + 104 + 28 = 432 |
| Faturamento | R$ 104.410 | R$ 85.104 |
| CPA | R$ 56,60 | R$ 69,44 |
| ROAS | 3,48 | 2,84 |
A diferença é de R$ 19.306 de faturamento que não existiu, e de um CPA 22,7% maior do que a primeira leitura sugeria. Se o CPA máximo dessa operação fosse R$ 65, a primeira tabela diria "pode escalar" e a segunda, "está no prejuízo".
Como medir a taxa de pagamento de PIX e boleto
A taxa de pagamento (também chamada de taxa de conversão ou de compensação do método) mostra quantos pagamentos gerados viraram venda aprovada.
Taxa de pagamento = pagamentos aprovados ÷ pagamentos gerados × 100
Calcule separado para PIX e para boleto. Os dois têm comportamento diferente e misturá-los esconde o que está acontecendo.
Passo 1: agrupe por comprador (CPF)
No exemplo, foram gerados 150 PIX, mas por 130 pessoas diferentes. Algumas geraram mais de um código para a mesma compra.
- Taxa por pagamento gerado: 104 ÷ 150 = 69,3%
- Taxa por comprador (CPF): 104 ÷ 130 = 80,0%
No boleto, a mesma lógica: 28 ÷ 80 = 35,0% por boleto emitido, contra 28 ÷ 70 = 40,0% por comprador.
A taxa por CPF é a que responde à pergunta de negócio: "de cada pessoa que chegou a gerar um pagamento, quantas compraram?". Contar cada código gerado pune a métrica por tentativas repetidas do mesmo comprador, que não são perda de venda.
Na prática, com uma exportação do checkout:
- Filtre os pedidos com método PIX ou boleto.
- Remova duplicados pelo CPF (e pelo produto, se vender mais de um).
- Para cada CPF, marque se existe pelo menos um pagamento aprovado.
- Divida os CPFs com pagamento aprovado pelo total de CPFs.
Passo 2: espere o prazo antes de fechar a conta
Um boleto emitido hoje pode ser pago até o vencimento e ainda levar um tempo para compensar. Um PIX pode ser pago minutos depois. Se você calcula a taxa de ontem hoje de manhã, ela vai parecer baixa, porque parte dos pendentes ainda vai virar venda.
A forma correta é medir por coorte de geração: pegue os pagamentos gerados em uma semana e só calcule a taxa depois que todos venceram e tiveram tempo de compensar. Para acompanhamento diário, use a taxa da última coorte fechada como referência.
Passo 3: quebre por origem
A taxa média da operação esconde diferenças. Calcule também:
- Por produto ou oferta: ofertas de ticket maior costumam ter mais boleto e mais desistência.
- Por campanha ou criativo: um anúncio pode atrair muita gente que gera boleto e não paga. No ROAS de uma ferramenta que conta gerados, ele parece campeão.
- Por dia da semana e hora: pagamentos gerados perto do fim do mês ou de madrugada podem ter comportamento diferente.
Passo 4: acompanhe o mix de pagamento
Além da taxa, acompanhe a participação de cada método nas vendas aprovadas: quanto do faturamento veio de cartão, de PIX e de boleto. Se o mix muda, a taxa de aprovação geral muda junto, mesmo sem nenhuma piora real em cada método.
Taxa de aprovação geral: o que ela mostra e o que esconde
A taxa de aprovação de uma operação é a proporção de tentativas de compra que viraram venda aprovada, somando todos os métodos. Ela serve como termômetro do checkout, mas é uma média de coisas muito diferentes:
- No cartão, a perda vem de recusas: limite, antifraude, dados errados.
- No PIX, a perda vem de códigos que expiram sem pagamento.
- No boleto, a perda vem de boletos que vencem.
Por isso, quando a taxa de aprovação geral cai, o primeiro passo é descobrir qual método caiu e se foi a taxa do método ou o mix que mudou.
O que fazer quando a taxa de pagamento está baixa
Algumas práticas comuns no mercado, para testar e medir na sua operação. Muitas dependem de recursos do seu checkout ou da sua ferramenta de e-mail e mensagens:
- Lembretes antes do vencimento e da expiração. Um e-mail com o código ou a linha digitável reenviados reduz o esquecimento.
- Validade do PIX adequada à oferta. Validade muito curta frustra quem precisa de alguns minutos; muito longa tira a urgência.
- Vencimento de boleto curto. Um prazo longo dá tempo para a decisão esfriar.
- Incentivo ao método instantâneo. Condições melhores no PIX podem trocar boleto por pagamento imediato.
- Clareza na página de pagamento. Instruções visíveis de como pagar, com botão de copiar o código e o QR Code grande no celular.
- Revisão do criativo e do público. Se uma campanha específica tem taxa muito abaixo das outras, o problema pode estar no tipo de comprador que ela atrai, e não no checkout.
Qualquer que seja a ação, compare a taxa de pagamento por coorte antes e depois, sempre agrupada por CPF.
Como fazer isso na Track Hunter
A Track Hunter recebe os pedidos diretamente dos checkouts integrados (Hotmart, Kiwify, Eduzz, PagTrust, Cakto, Ticto, Guru, Kirvano, Monetizze, Payt e outros) e separa o que foi pago do que está aguardando pagamento.
Vendas pendentes ficam fora do faturamento
No dashboard, o Faturamento Total considera vendas aprovadas, reembolsadas e chargebacks, mais frete pago pelo cliente. PIX e boletos aguardando pagamento não entram. O CPA Geral é calculado como investimento ÷ pedidos aprovados. Ou seja, a leitura da coluna "Só vendas aprovadas" do exemplo acima é a padrão do painel.
Os blocos para acompanhar pendentes
Em Dashboard › Editar blocos, na categoria Pendentes & Risco e em Vendas & Distribuição, ligue:
- Vendas Pendentes: mostra os PIX e boletos gerados e aguardando pagamento, agrupados por CPF, para não contar a mesma pessoa várias vezes.
- Tabela Vendas Pendentes: a lista das vendas pendentes do período, para consultar caso a caso.
- Vendas / Pagamento: a distribuição das vendas entre PIX, cartão e boleto, para acompanhar o mix.
- Total de Pedidos Aprovados: a base para comparar com os pendentes.
Passo a passo
- Conecte o checkout em Integrações (webhook, API ou postback, conforme a plataforma).
- Abra o Dashboard, clique em Editar e ligue os blocos acima.
- Escolha o período e, se tiver mais de um checkout, filtre pelo que quer analisar.
- Use a comparação de período (período anterior ou mês anterior) para ver se os pendentes cresceram mais que as vendas aprovadas.
- Salve a visualização com um nome, como "Checkout e pagamentos", no escopo Global ou Pessoal.
Plano
O dashboard com esses blocos está disponível em todos os planos, inclusive no Free. Todo plano começa com 30 dias grátis, sem cartão.
Perguntas Frequentes
O que é boleto pendente?
É um boleto emitido no checkout que ainda não foi pago ou ainda não teve o pagamento compensado e confirmado pela plataforma. Enquanto está pendente, não é venda: não deve entrar no faturamento, no CPA nem no ROAS. Se não for pago até o vencimento, o pedido não se concretiza.
Boleto pendente conta como venda?
Não. Só vendas com pagamento aprovado devem ser contadas como venda. Boletos e PIX gerados e não pagos devem ser acompanhados separadamente, como vendas pendentes. Contá-los como venda infla o faturamento, reduz o CPA e aumenta o ROAS de forma artificial.
Como calcular a taxa de pagamento de boleto?
Divida o número de boletos pagos pelo número de boletos gerados e multiplique por 100. Para um resultado mais fiel, agrupe por CPF, contando cada comprador uma vez só, e calcule por coorte: pegue os boletos emitidos em um período e só faça a conta depois que todos venceram e tiveram tempo de compensar.
Por que agrupar vendas pendentes por CPF?
Porque a mesma pessoa pode gerar vários PIX ou boletos para uma única compra, por exemplo quando o código expira ou quando troca de oferta. Contar cada pagamento gerado faz parecer que muitas vendas foram perdidas, quando parte delas é só repetição. Agrupar por CPF mostra quantas pessoas realmente deixaram de comprar.
Quanto tempo o boleto leva para compensar?
Depende do banco, do horário do pagamento e da plataforma de checkout, e costuma levar alguns dias úteis. Por isso a venda por boleto só aparece como aprovada algum tempo depois do pagamento. Consulte o prazo informado pela sua plataforma e espere esse intervalo antes de calcular a taxa de pagamento de um período.
PIX pendente expira?
Sim. O código ou QR Code de PIX gerado pelo checkout costuma ter validade definida pela plataforma. Depois que expira, não pode mais ser pago, e o comprador precisa gerar um novo. É uma das razões pelas quais a mesma pessoa aparece com mais de um PIX gerado.
A Track Hunter conta PIX e boleto pendentes no faturamento?
Não. PIX e boletos aguardando pagamento ficam fora do faturamento e aparecem separados no bloco Vendas Pendentes, agrupados por CPF, e na Tabela Vendas Pendentes. O bloco Vendas / Pagamento mostra a distribuição das vendas entre PIX, cartão e boleto.